Olá, queridos leitores!

Estou aqui para informar que o Intelecta está suspenso por tempo indeterminado devido a falta de tempo dos colaboradores e as reestruturações que pretendemos fazer no blog. Aguardem!

Conto com a compreensão de todos e agradeço as constantes visitas!

Abs

Priscila.

 



Escrito por Intelecta City às 10h55
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UMA NOITE

[ Ensaio sobre a ansiedade de uma adolescente]

 

Aquele relógio só podia estar quebrado. Bocas e abraços. A música tocava alta e as batidas iam direto nos pés, o que não nos deixava ficar parado. Dancei a noite toda. Música latina. Maná, Juanes, Jennifer Lopez, Rick Martin, todos no ritmo contagiante do tecno. Eles têm essa mania de pegar qualquer sucesso e transformar em tecno ou em axé, se estiver na época do carnaval. Realmente nada se cria.

Renato ofereceu-me um cigarro. Disse-lhe que não fumava.

“Mas você dança então?” Disse que sim, adoro dançar. Acho que dançamos umas duas horas juntos. Ele ofereceu uma cerveja, bebemos. Disse que queria sentar e ele foi até a mesa comigo, conversamos um pouco apesar do barulho. Trocamos telefones e ele foi embora. Márcia já estava na porta a minha espera e perguntou o mesmo de sempre: E aí, ele beija bem? Como ela podia ser tão superficial! Naquela noite eu não consegui dormir. Fiquei pensando se ele seria mais um na balada ou algo mais...Eu queria algo mais! Um ano desde que Flávio e eu terminamos o namoro, eu já não agüentava mais ser só. Será que Renato queria namorar ou só ficar? Estava tão quente...a noite quente e a cerveja esquentando. Nunca desejei tanto que alguém me ligasse. Não desgrudava os olhos do relógio. O tempo sempre anda devagar quando precisamos que ele vá depressa e nos traga as respostas. Ele parecia sincero. Eu estava há dez minutos ao lado do telefone. Ele, atrasado cinco minutos.

Mais um bombom. Uma balinha. Ansiedade. Escrevo algo na agenda. Um sorriso ao recordar os bons momentos. Dez, quinze, vinte...quantos minutos mais? Mas se ele ligar, o que vou dizer?

 

*Texto escrito por Priscila Maravilha!

**Aviso: Todos os textos publicados neste blog estão protegidos por direitos autorais, não podendo ser reproduzidos em outros sites. 



Escrito por Intelecta City às 09h52
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ANGÚSTIA

Não sei.

Talvez a pergunta ecoe pelo resto dos meus dias sem resposta que justifique sua existência.

Por que, por que não usar a nosso favor o medo, esse tudo que sentimos intacto na mais pura essência, ao invés de nos deixarmos esmagar implacavelmente por ele?

É tão sem explicação.

Agora a floresta do parque do Carmo pega fogo. E disso eu sei porque estou vendo – a fumaça sai do meio das árvores e, com algum esforço, é possível diferenciá-la do chumbo poluído já parte integrante do céu.

Desempregado emprego é o que eu procuro.

De repente a última entrevista.

A responsável pelo setor de RH da empresa fala que nós – eu e um bando de infelizes partilhando de algum modo da mesma desgraça – não devemos nos sentir desempregados ante o mercado de trabalho, mas sim disponíveis. A náusea me sobe, feroz, à garganta. Tachar-se de desempregado, segundo ela, é se auto-afirmar preguiçoso, ocioso – alguém incapaz de preencher qualquer função em seu dia-a-dia

Não entendi as comparações.

Um helicóptero sobrevoa a área aonde se propaga o incêndio. Ele despeja alguma coisa por sobre as árvores e por sobre o fogo, através de... de... bem, aí eu não saberia dizer, mas despeja uma coisa, água não é – provavelmente alguma solução química para reagir à do fogo.

O que é que eu vou fazer?!

Calor desgraçado, o clima abafado há tempos – inverno, tá bem, vai, quase primavera, o que em nada justifica os 32-33 graus centígrados de fornalha: esses 32-33 graus de fornalha nos assando o que resta de alma, pra deixar mesmo só o medo.

A menstr – não fui aprovado na entrevista: falta de qualificação, de experiência na área, coisa mais engraçada, não é?, como que haveria de ter a porra da experiência sem uma chance sequer?, mas não falei nada na hora, quando cheguei em casa fui atrás do meu mini Aurélio, uma, a única herança valiosa, um pequeno “furto” na verdade, da escola pública, para entender um negócio: “de•sem•pre•ga•do adj. e sm. Que ou aquele que está sem emprego.”; “em•pre•ga•do sm. 1. Aquele que exerce emprego ou função; funcionário. 2. V. empregado doméstico. Empregado doméstico. Bras. Aquele que presta serviço dentro de uma casa; criado, doméstico, empregado.”; “desemprego (ê) sm. 1. Falta  de emprego. 2. Econ. Situação em que parcela da força de trabalho (q. v.) não consegue obter ocupação.”; “dis•po•ní•vel adj2g. De que se pode dispor. [Pl.: -veis.]”; “dis•por v.t.d. 1. Arrumar, colocar em lugar(es) próprio(s), adequado(s), conveniente(s). 2. Colocar em certa ordem. 3. Estabelecer; prescrever. T.d.i. 4. Predispor. 5. Pôr de acordo, harmonizar. 6. Persuadir. T.i. 7. Usar livremente. 8. Desfazer-se (de algo). 9. Ter a posse. Int. 10. Resolver em caráter definitivo. P. 11. Decidir-se. 12. Dispor (8). 13. Preparar-se. 14. Dedicar-se. [Conjug.: 60 [dis]por]”¹; em resumo, estar disponível era como devíamos nos sentir, porque é mais fácil domar bois que não se sabem posses do patrão, dispostos para uso livre, do que domar (escravizar) sujeitos que se sentem profissionais insubstituíveis dentro de sua área, um algo mais do que uma pura estatística na nota do jornal lido de soslaio nas bancas; velhos números iguais que se risca e que se apaga das planilhas do Excel por algum administrador a estilo Roberto Justus bocejando rigor e bafo de café choco ante algumas tarefas das três da tarde: “manda embora que a gente conseguiu mão-de-obra mais barata, aquele faz tudo pelo preço simbólico do papel que a gente usa por mês pra limpar a bunda”, sem usar estas palavras, claro, que a cara hoje, a moda, é um idioma auto-ajuda pra implantar sorrisos inúteis e sem sentido nos frustrados e nos esperançosos; hoje não sei, pela situação em si, me aceitaria número disponível, moeda de troca, porque disponíveis as empresas pegam até “sem experiência” – é foda ver que a vida é tão dura que temos de nos humilhar até para conseguir um trabalho ruim. A menstruação

A menstruação não veio – foi isso. A todo instante a imagem dela com estas palavras. Aí é que eu parei de funcionar. E agora, o que vamos fazer? O que eu ia dizer? Há alguma coisa especial para se dizer nessas horas? Eu te amo, coisa e tal? Sei lá, sinceramente talvez a melhor, pela situação e pelo mundo podre: um aborto?

Pensamentos loucos.

A coragem foge do medo – o que fazer?

Vejo o helicóptero, que vai, que volta. O fogo quase domado. Parque do Carmo sempre em chamas (em todo lugar algo sempre pega fogo, só que de outras maneiras, mas mesmo que indiretamente, em todas as ocasiões ateado por nós mesmos – não, em quase todas). Certeza de que não foi um incêndio criminoso – quer dizer... –, foi  uma mandinga, com tudo o que tem direito; completa. Por que essa gente faz isso? – a coisa do mundo regido pelos opostos, sei lá, já não sei se acredito.

Desacredito da situação de agora. A gravidez, o desemprego, por que nessa hora tão imprópria? A gilete de fazer a barba; os remédios para dormir, para ficar acordado mais os para o estômago; em reivindicação o terceiro andar e o térreo de um shopping qualquer. O que é uma solução para hoje? 

Pensamentos loucos.

A coragem que foge do medo... O incêndio cessou (se continuasse não precisaria ver a manchete: “Fogo se alastra no parque do Carmo, zona leste de São Paulo!”). Agora só há o céu obscuro com a minha e com outras realidades obscuras. No chumbo não piscam rotas. O medo que não foge à coragem pode ser um estímulo, um empurrão para frente talvez. Os 32-33 graus fornalha aqui; não há nada de positivo para se dizer: tudo o que se diz de positivo soa falso. O que fazer?, é a minha única pergunta.   

   

 ¹As definições de palavras são todas do mini dicionário Aurélio.

 

*Conto escrito por Homem Invisível.

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Escrito por Intelecta City às 13h49
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DESVIOS

O nome bíblico foi dado pelo pai que o tinha como um pequeno amuleto. Isaías nasceu em 1969, auge da ditadura no Brasil. Logo que veio ao mundo, o pai, seu Terêncio, ganhou o primeiro prêmio em um sorteio na empresa onde trabalhava: uma bicicleta. Com o presente, passou a ir ao trabalho e aumentava a verba vendendo os passes de ônibus. O menino estava trazendo sorte. Terêncio e a esposa, dona Cida, viviam em uma casa simples, de três cômodos, numa cidade do interior paulista. A miséria era evidente. Dona Cida pensou em abortar, mas o marido foi categórico: “Se está aí é porque Deus mandou!” Aceitaram a benção e seguiram em frente. Homem de poucas palavras, Terêncio não gostava de falar muito, mas quando a mulher lhe perguntou que nome dariam ao menino que estava para nascer, ele abriu a bíblia e disse em voz alta: Isaías.

O rebento não dava trabalho, se alimentava como um leão e aos 6 anos aprendia as primeiras letras do alfabeto. Para o pai, o menino era muito inteligente, estava se tornando um pequeno gênio. Os testes de QI, mais tarde, confirmaram a suspeita de Terêncio. Um gênio. Ele tinha uma inteligência extraordinária em casa!

A notícia se espalhou e a casa virou roteiro freqüente de romeiros que acreditava que Isaías podia fazer milagres, já que o povo acreditava que aquela inteligência só podia ser santa. Dona Cida dizia a todo o momento que isso era um absurdo, as portas sempre abertas, aquele monte de gente que trazia brinquedos, doces e pediam bênçãos a um menino de apenas 8 anos. Deus, onde vamos parar?, perguntava.

Aos poucos as notícias de curas e pequenos milagres foram sendo divulgadas na região até chegar aos ouvidos de um pastor evangélico. Seu José foi até a casa, viu o menino e disse que queria levá-lo à igreja para fazer pequenas pregações. “Mas o menino nem sabe o que é isso!”, dizia dona Cida. “Não é necessário saber, temos cursos para isso”, dizia o pastor. O sucesso estava selado. Aos 10 anos, ele dizia palavras inflamadas de fé e esperança aos evangélicos da igreja “Vivo em Jesus”, em uma cidade vizinha, recebia salário e arrastava multidões por onde passava. Seu Terêncio parou de trabalhar e eles mudaram para uma casa maior.

Com pompas de sabedoria, o pai do garoto dizia que seu filho, além de trazer muita sorte, era realmente uma benção. E dona Cida repetia: Isso é absurdo! Isaías não dizia nada, só olhava os milhares de brinquedos em cima da cama.

 

 *Conto escrito por Priscila Maravilha.

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Escrito por Intelecta City às 11h14
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Aquele gosto amargo do seu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo
De amargo então salgado ficou doce
Assim que o teu cheiro forte e lento

Fez casa nos meus braços
E ainda leve, forte, cego e intenso
Fez saber que ainda era muito
E muito pouco

(Daniel na cova dos leões – Legião Urbana)

Descobertas sentimentais

 

 Se amar era um suplício, uma dor, um desatino, porque as pessoas procuravam tanto a alma gêmea, o par perfeito, o amor de suas vidas?

 Mas a solidão é pior, dizia Agenor. Não importa se você ama um homem ou uma mulher, o importante é a alma. E ele estava certo.

 Durante toda a minha vida achei que poderia apenas amar mulheres, ter filhos e ser feliz. Casei-me duas vezes e continuava infeliz, incompleto. Faltava a alma.

 E a alma estava em Renato. Mas só descobri isso quando rompi meu segundo casamento.

 O preconceito foi barreira para a minha felicidade. Não deveria, eu sei. Mas eu me influenciei me contaminei com o senso comum daquelas pessoas que vivem de caras e bocas e almejam ser como os artistas de TV.

 Na mesa de jantar isso era mais claro. Todos querendo ser simpáticos, mostrando que sabiam lidar com os talheres e apreciar vinhos portugueses. A comida sempre farta e a contradição também.

 O amor por Renato me doía, cortava minha carne, meu coração. Eu me culpava, me corroia por dentro como o ferrugem come o ferro. Escrevi inúmeras poesias para ele, inúmeras canções...Até que um dia ele me ofereceu um cigarro e ficamos juntos por dois anos.

 Estou só, a solidão é mesmo ruim como me dizia Agenor. Mas hoje prefiro a solidão à aparência. Assim eu me sinto livre.

 

 *Conto-reflexão escrito por Priscila Maravilha.

** Toda segunda o Intelecta traz um conto, uma reflexão ou uma poesia para você!

 



Escrito por Intelecta City às 11h42
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EM DOIS TEMPOS O INSTANTE DE...

                        I

 

            [E assim, à parte mesmo a necessidade de vermes intermediários, se apodrece vivo]

 

 

Datei nos meus sentimentos

prazos de validade:

Amizade,

Amor,

Namoro,

Casamento,

[...],

e não entendi,

quando após algum tempo,

à procura

de meus traços perdidos,

encontro meu,

aquilo

de dentro das gentes,

algum dia pessoas,

a que chamam

alma,

ser,

sei lá,

vazio,

completamente

vazio.

 

                         II

  

            [Rascunho de um poema de acontecimento inominável, insinopsezável]

 

 

Passou o romantismo,

passou o modernismo

e chegou a sua radicalização,

mal,

como câncer,

como aparição propriamente dita da morte em vida,

como a maior das epidemias:

o descaminho acelerado da humanidade para a evolução

em uma corrida desenfreada porém [pretendendo-se] imperceptível para o nada.

Mas, eu,

preso também em tudo isso,

inevitavelmente ao te ver

me quis na pintura dos teus lábios.

Romântico? Ultra, hiper, pós, moderno?

Não sei aonde me encaixaria ou por que

mas fora de movimentos, épocas, e outras bobeiras e males,

eu me senti ser,

existente;

eu me senti menos

e então muito mais humano

no desejo agora de estar em teus lábios,

pintados, não pintados,

teus lábios.

 

 * Poesia escrita por Homem Invisível

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Escrito por Intelecta City às 11h27
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SEM ESCOLHA

Sandra corria na estrada de terra. Por uns instantes fechou os olhos imaginando o que viria a ser a liberdade, abriu os braços, sentiu a brisa leve tocar-lhe o rosto. Desde os 14 anos ela não sabe o que é brincar na rua. Mas na sua inocência, acredita no futuro, na bondade.

Ali, no interior da Bahia, a prática era comum. O pai deu a filha a um homem que prometeu fazer dela a menina mais rica da Bahia. Em troca, recebeu umas moedas e um saco de pão. No fundo, seu João sabia qual seria o destino da menina: o mesmo de sua mãe.

Sandra corria. Seu destino era a BR-101 que poderia levá-la a Salvador, a 146 km dali.

A cidade pacata levava o nome de Cruz das Almas. Muito conhecida pelos shows de forró e de lambadão. A menina morena de olhos verdes dançava com as amigas em um baile próximo de sua casa, quando um homem de uns 40 anos se aproximou perguntando se ela queria ser dançarina.

Nas novelas as pessoas são descobertas por “olheiros”. Quem garantia que ele não era um, pensou.

A menina arrumou as malas e pediu “bença” ao pai. O homem que a levou era um olheiro, como Sandra imaginou.

Chegou a seu novo lar. Na frente, um pequeno palco, com luzes coloridas e muitas mesas em volta. Ela pensava que ali era o começo de uma vida de glamour. “Igual das dançarinas de axé”, pensou.

Pensou em um nome de artista para usar, na roupa cheia de brilho e nas entrevistas para a BA TV.

Em segundos os sonhos foram interrompidos por um grito. Um homem com a barba mal-feita e a camisa aberta se aproximou gritando seu nome: Sandra, venha cá!

Olhou os dentes, as pernas e apalpou os pequenos seios que ensaiavam crescer.

-Tu é bonita, menina! Bora, que vou lhe mostrar seu quarto.

Sandra seguiu o homem. Percebeu muitos quartos no interior da boate, pensou que participaria de um concurso e que ali era uma pousada onde ficariam para ensaiar.

Pensou, pensou, pensou... Mas nada daquilo aconteceu.

Sandra fora vítima da prostituição por dois anos. Explorada várias vezes na mesma noite, dolorida e com nojo de si própria, ela se agarrava ao pequeno urso que ganhou de seu pai e chorava por muitas noites sozinha. Não fez amizades ali, não queria envolvimento, pois planejava fugir.

Nestes 24 meses, Sandra usava o nome de Rubi e se vestia para aparentar ter 18 anos. Maquiagem pesada, batom vermelho e short curto.

Os homens que usavam seus préstimos forçados eram velhos para ela, alguns com 40, outros com 50 anos. Rubi era só uma menina e mal sabia o que era aquilo que lhe doía não só o corpo, mas a alma. Lembrou de sua mãe. Maria era uma mulher forte, astuta e de seios fartos. Dizia que trabalhava em casa de família, mas na verdade passava o dia na estrada. Os caminhoneiros pagavam bem. Sandra não tinha pai. Seu João assumiu a menina por piedade, mas sabia que ela poderia não ser sua filha. Maria-ninguém. João-ninguém. E Sandra ainda se sentia alguém, mas sabia que talvez não tivesse escolha.

O dia da fuga chegou. Sandra foi obrigada a “passear” na boleia do caminhão de um amigo do seu patrão. Foi.

O homem, muito violento, a agarrou. Sandra, num rompante, puxou o berrante que estava próximo ao seu banco e acertou em cheio na cabeça. O caminhão perdeu a direção e Sandra pulou, rolando mata adentro.

Ela corria. Não sabia ao certo quanto tempo estava correndo sem parar.

Pensou naqueles homens que entravam e saíam daquele quarto, no sonho de se tornar dançarina. Naquele patrão nojento que a ensinou a beber pinga e na maldade do mundo. Enfim, pensou no pai. Uma lágrima deslizou em seu rosto. “Pra lá eu não volto”, pensou.

 

 *Conto escrito por Priscila Maravilha.

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Escrito por Intelecta City às 11h36
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BIOGRAFIA DE DUAS VIDAS EM UMA

Sentada à beira do abismo, ela se perguntava para quê servia a vida se ela já não sorria mais. Olhou a profundidade do penhasco, mas não pôde ver bem, pois os olhos estavam embaçados. Da altura em que se encontrava, podia sentir o leve vento que tocava seu corpo, seu rosto e suas mãos.

Maria Luíza nasceu Arnaldo Lourenço Lima. Quando criança, brincava escondido com as bonecas da irmã e calçava os sapatos da mãe. Certa vez, ousou passar um batom vermelho carmim e se sentiu o máximo. Aos 16 anos, tentou namorar uma colega da escola, mas logo percebeu que o que interessava naquele namoro era aprender as técnicas femininas. Sem saber, Paula o ensinou a sentar de pernas cruzadas, a gostar dos perfumes doces e fazer charme. Após a “lição” sobre como se portar delicadamente em um almoço, Arnaldo terminou o namoro.

Aos 19, convidou um colega de faculdade para dormir em sua casa e passou a noite em claro observando aquele corpo atlético e sem pêlo do nadador olímpico. Pronto! Pela primeira vez, havia se apaixonado. Porém, o romance não avançou, já que o bofe não era do “babado”.

A partir daí, Arnaldo de Souza começou a morrer para a sociedade e em pleno verão, aos 20 anos, nasceu Maria Luíza, uma Drag Queen de estilo. Caminhando pela Rua 25 de março, no centro de São Paulo, as plumas e paetês encheram as sacolas da diva e o figurino foi inspirado em Isabelita de los Patins, sua musa inspiradora.

Cada vez mais convencida de que era uma mulher e que faria de tudo para ser, Maria Luíza fez plásticas reparadoras, colocou silicone, fez depilação a lazer, esticou o rosto, tirou a barba e fez pelling. Estava, enfim, transformada.

O primeiro namorado foi um empresário cheio da grana que a vestia com as melhores roupas e jóias verdadeiras. O segundo, foi o mecânico da oficina em frente ao apartamento de luxo em que morava com o empresário. Este durou pouco, foi um affair, como dizem as celebridades.

Os anos se passaram e de repente Maria Luíza se achou velha, aos 30 anos. Decidiu entrar na onda do botox e aumentar os seios. Saiu renovada da clínica, recebendo elogios por onde passava. Abandonou o empresário, o mecânico e foi viver com um jogador de futebol no Rio de Janeiro. O bofe era pobre, estava iniciando a carreira, mas sem descer do salto, Luíza aceitou fazer shows em boates para ajudar na renda. Acostumada com a vida de princesa, ela fazia de tudo para ter dinheiro, mas Pedrão, o jogador de cochas grossas, gastava mais do que ganhava.

Viveram felizes por um bom tempo até que o botox e os seios começaram a cair e os pêlos a crescer. Pedrão, indignado com o que via, mandou Maria Luíza embora. Desiludida, agora ela estava ali de cara com a morte. O botox não a deixava sorrir e nem chorar e os seios alcançavam o umbigo!

Mesmo triste, ela desistiu do se jogar no penhasco, levantou, sacudiu a poeira e disse a si mesma: "Sou uma mulher, e as mulheres não desistem nunca".

 

*Conto escrito por Priscila Maravilha

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Escrito por Intelecta City às 11h04
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SEGUNDO

É um sonho.

Que parece tão real a ponto de o corpo, a alma e a mente dela, alienados pelo profundo do inconsciente, tomarem por ridículo toda forma de limite.

Acomodado de bruços na areia o corpo encontra um leve prazer. O sol arde bronze em suas costas, pernas e bunda que o tipinho meio playboy vê e aprova. A atenção dela, no horizonte. Ele deixa de olhar superficialmente para ela (para a bunda só por último) e segue à procura de outras, que também contemplará com essa superficialidade declarada das gentes nas praias – quase igual nas cidades, se nelas essa atitude não acontecesse, assim, despercebidamente. Porém, ainda o metido a playboyzinho concentrando seus pobres neurônios na expressão que o seu rosto demonstra, não a desvendaria.

Para ela,  a viagem tem um significado muito importante em sua vida. Não se esquece disso. Acha essa solidão acompanhada da praia uma coisa divina. E em pensar que não faz nem um dia direito que saía daquela merda de cidade caótica. O apartamento, o trabalho, os muros e grades interiores e exteriores (essas malditas prisões...), as gentes por todo canto – sempre um circuito fechado. São Paulo, tisc, merda de cidade, é o que acha, mas nunca diz a ninguém.

Suspira.

Aí percebe Luciana lhe acenando um ei!, oi!, e aí?, não vem mesmo? Só balança a cabeça. Então quase ri ao vê-la arquitetando aquela mania que acha tão engraçada, de colocar as mãos na cintura e fazer cara de você é fogo mesmo, viu, menina?, você é fogo... De repente ri, não dá para conter, chega a gargalhar, porque a outra amiga em comum delas aparece por trás de Luciana e a surpreende pulando sobre ela e derrubando-a na água.

A viagem tinha sido uma coisa. Vieram no carro dessa outra amiga, e foi a maior zoação, porque a Luciana não fechava a boca, e como de costume, quando a abria era para fazer quem estivesse por perto chorar de rir, às vezes de si mesma. Essa sua irreverência sempre conquistou a todos, ela pensa, e pensa também na conversa de quase agora.

Cá, e então, vamos entrar?

Ela fez a cara de ia ser maravilhoso, mas você sabe que eu não vou.

Como assim não vai entrar? Não vai começar com aquela história de novo, né?

Olha que não é história. Eu não vou entrar não, amiga; em reverência ao mar. Entende?

Ah, pára com isso... em reverência ao mar, tisc, tisc. Você tá precisando mesmo de sexo, viu, Cá? Adeus pra você. Eu vou entrar.

E entrou. Sempre adorou esse seu jeito doido de quem não é nem um pouco doido e parece ser. Na merda de cidade caótica em que vivem Luciana é a única pessoa que conhece.

Olha o mar, as ondas se quebram umas nas outras fazendo um barulho de destruir fronteiras. A linha lá no fundo que chamam de horizonte é múltipla de possibilidades como o que existe para além da curva.

Ela está feliz.

Na verdade um rol de infinitas possibilidades, ao alcance sim.

Não percebe que chora.

Sente a alma em paz pela primeira vez faz tanto tempo.

Infinitas rotas.

Chuva sem ácido.

Estrelas não embaçadas, se calhar.

Mais vida até.

Perde-se em pensamentos e sensações. O sol arde bronze e levíssimas queimaduras em sua pele. Sente o incômodo e se vira, e é quando de repente acorda em sua cama.

A solidão da cidade do sempre circuito fechado.

Já não está mais feliz.  

 

 

*Conto escrito por Homem Invisível.

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Escrito por Intelecta City às 11h06
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- Curioso. Sempre acreditei que a única forma de fugir ao capitalismo era essa: a mendicância. Achei que ao deixar de consumir, automaticamente estaria alheio ao sistema. O capitalismo é foda mesmo. Está em todo lugar!

- Até onde não está, querido. Mas, voltando às drogas, se puder, caia fora, saia dessa vida, filho. Fuja! A única droga que eu tomo é esta.

E ergue sua preciosa garrafinha PET.

- Mas esta minha é mais forte do que eu... Ela me domina, me consome, me alucina.

- Eu sei de tudo isso. Ela tira seu apetite, seu sono, sua disposição. Ela te perturba às vinte e quatro horas do dia, não é isso?

- E muito mais. Está me levando à loucura.

O mendigo observa os pulsos do outro costurados.

- Mas saiba, amigo, que a morte não é a solução. Se fosse, de tanto que o homem mata, o mundo estaria perfeito. Me diga, ando meio desatualizado: qual é o seu caso? Coca? Craque? Pico?

O homem deixa escapar um suspiro profundo e olha para os pulsos. Uma lágrima foge de seus olhos. Depois ergue a cabeça e uma faixa de luz que escapa dentre os prédios turva-lhe os olhos claros molhados.

- Pior, companheiro. Muito pior. Esta te consome mais depressa e irreversivelmente do que qualquer outra. Depois te abandona na mais pútrida e ínfima condição. É a droga da Desilusão consigo mesmo.

O homem se levanta, acena com a cabeça e desce a rua lentamente.

O mendigo observa o homem que vira a esquina sem olhar para trás. Calado, ele passa a refletir sobre o que o mantém vivo, mesmo naquela situação desumana, e chega à conclusão de que é a Esperança. Pensa também que aquele homem destruído que acabou de desaparecer lá em baixo não viverá muito mais do que ele. A droga em que ele viciou é mais do que isto; é doença, e a mais terrivelmente maligna de todas.

 *Conto escrito por Super Silva.

**Toda segunda-feira um conto novo no Intelecta pra você!

 

 



Escrito por Intelecta City às 10h15
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UM BEIJO DE ADEUS

Amortecido pelo tempo. É assim que me sinto toda vez que assisto aos telejornais. Uma criança, um idoso, dez, vinte, cento e noventa e nove pessoas mortas. A morte. Única certeza da vida.

Maria se aproximou com a notícia nas mãos: “Ela estava no vôo...”. E subitamente começou a chorar. Lágrimas. Luto. Desespero. Senti-me impotente. Logo eu que na juventude lutei contra a ditadura, fui contra o governo e quase morri por causa disso, estava ali naquele saguão sem saber o que fazer e, pior, sem forças para protestar.

Logo chegaram as autoridades e todos se aproximavam tentando entender o que havia acontecido. Deixei Maria tentando obter informações e me afastei do grupo. Andei até onde a fumaça do acidente permitia. Fiquei longos minutos olhando para o fogo e rezando para que minha neta não estivesse sofrendo. Tão jovem e tão linda...

De repente senti que o chão não estava mais sob meus pés, fechei os olhos e senti novamente aquele beijo que ela me deu antes de ir à Porto Alegre, cidade que ela gostava de visitar nas férias. Uma voz suave se aproximava... não sentia meus pés...no rosto, um vento atípico no meio daquele fogareiro. Marina pousou seus lábios em minha face e pude ouvir ela me dizer: “Vovô, eu estou bem. Te amo!” Despertei sentindo o seu perfume.

Voltei ao saguão e Maria chorava muito. Não sabia o que dizer a ela, mas, mesmo assim, a confortei em um abraço, dizendo que Marina havia ido embora, mas estava bem.

Sentado em frente a TV, vejo condecorações à ANAC, um presidente omisso e incansáveis corrupções. Enquanto o país vibra com o Pan e o governo busca soluções para o aeroporto de Congonhas, muitas famílias ainda não puderam enterrar seus mortos e eu estou aqui, me sentindo impotente e descrente neste país, no qual um dia acreditei tanto que quase dei minha vida por ele.

 

 *Conto escrito por Priscila Maravilha.

**Quinta-feira é dia de Intelecta-Dicas para você!



Escrito por Intelecta City às 08h33
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AMOR

Ela sempre implicou com o meu sotaque. Por acaso isso é defeito em alguém? A gente não é, em resumo, o lugar onde vive?, até pensei em perguntar, mas o momento era mesmo inadequado: era a primeira vez que a via novamente passado tantos anos.

E veio então não só a pergunta, mas a maneira como ela era feita: ambas, intrigantes.

Lembra da última coisa que eu te disse antes de partir? Você se lembra?

É claro que eu me lembrava, me incomoda até hoje aquele momento, cheio das lágrimas daquela mulher que nunca chorava, e que era a única que eu sempre havia admirado exatamente pela força de não se dobrar diante dos problemas. Nem mesmo daqueles que desnorteariam qualquer homem. Sim, deveriam existir mais mulheres como aquela no mundo. Foi no que pensei, e também que mesmo com toda sua força, elas foram, no fundo, feitas para serem cuidadas, pelo ponto de vista profundo que é o do amor.

É, eu me lembrava. Mas ela não me permitiu dizer.

Eu tô viva. Eu consegui. Eu consegui...

E em soluços se abraçou a mim.

Como da vez que ela partiu.

E eu continuei ali calado.

Como da vez que ela partiu.

 

*

(Continua)



Escrito por Intelecta City às 08h56
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Um soco bem no meio do nariz do filho da puta.

Ele se levanta. Mãos cheias do sangue que ele olha sem acreditar; sangue do seu nariz. Filho da puta.

Você é louco? Você é louco, cara?! Porra, o que foi que você fez?!

Falo.

Não, eu não sou louco. Dei um soco na merda do seu nariz. Foi isso. Você queria saber, pois bem, tá dito. Agora é a sua vez de responder, prepare-se.

Eu sempre fui um homem calmo, quieto, que mais gosta de ouvir do que de falar, mas hoje sinto que por algum motivo, não vou parar de falar. Perco o sotaque com a frieza. Quase por inteiro, percebo. Eu não vou parar de falar. A calma (indicando paz) se foi, mas aí eu sei exatamente por quê. O sorriso em meu rosto é sintoma de outra calma, da que restou: a calma da frieza, do ódio, da raiva.  

*

 

Por que você fez aquilo? Não precisava daquilo. Não se faz aquilo com ninguém. Você é um monstro. Um monstro.

Bilhete não assinado. As letras manchadas de lágrimas. O dono da pensão onde dormia tenta me dizer que uma mulher é quem o tinha trazido, mas antes que ele termine pago as diárias e vou embora. Eu não preciso me explicar a você, nem você a mim, penso.

Aquilo. Daquilo. Aquilo com ninguém.

Penso na contabilidade e só depois na resposta que nunca darei, porque eu sei que isso será impossível.

Cinco dentes, nariz, duas costelas, dedo mindinho da mão direita, quebrados; e como que o filho da puta sangrava.

A pergunta do bilhete deveria ser: por que você fez só aquilo? Mas ela não sabe. Talvez nunca saiba. É só para essa pergunta que existe resposta.

 

*

(Continua)



Escrito por Intelecta City às 08h55
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Não o matei. Não ia me sujar com a morte do filho da puta. Já basta ter se sujado com o seu sangue imundo. A camisa nunca vai ficar branca. Cinco/seis lavagens, nada. Esses comerciais sobre roupas mais brancas que o próprio branco, não passam de uma mentira deslavada. Não vou me desfazer da camisa. Ela vai continuar no varal, desbótada, envelhecendo até desaparecer pelos efeitos do sol, do vento, e se calhar de alguma chuva. Mas o meu ódio nunca vai desaparecer. O do Toinho já desapareceu. É certo. Ele deu fim no filho da puta. Mas ele vai guardar os dentes. Os dois dentes que mandei via sedex para ele, contando em carta anexa que eram do filho da puta que havia feito mal a sua filha quando voltava, pura, intocada, da escola para casa; disse ainda que os dentes eram para facilitar o reconhecimento do fulo porque ele havia mudado muito desde aquele tempo, e havia mudado mais ainda depois da surra que dei em consideração e respeito a ele e a sua filha. Surra que o deixou com a cara quase inteiramente desfigurada e sem cinco dos seus dentes. Mas isso eu só disse no final da carta, quase como que em um PS, onde eu falava em que lugar ele se escondia agora. No PS, os dentes são em lembrança e respeito a você - a sua filha -, mas não diga nada a ela. Se ele fosse responder por escrito a minha carta, seria curto, me agradecendo e dizendo que eu devia de ser o único sujeito que ainda escrevia cartas com o avanço de tudo por aí, mas ele não respondeu por escrito. O seu sinal de agradecimento foi contratar um matador para o filho da puta, que nem era de verdade o que mexeu com a sua menina, porque esse tinha fugido ninguém sabe para onde. Mas ao mesmo tempo em que ele me fez um favor, eu fiz um para ele: agora ele finalmente poderia olhar na cara da sua menina. O ódio dele deve ter passado. Talvez todas as vezes que olhe para os dentes exiba um sorriso. Ou não. Mas eu sorriria, todas as vezes, contente, orgulhoso, e apenas triste ao lembrar que aquelas atitudes fizeram com que eu nunca mais pudesse vê-la. A mulher de força única. A mulher que implicava com o meu sotaque. Eu deveria ter guardado comigo um dos dentes. Porque dentes não envelhecem e desaparecem tão rapidamente como camisas e verdades que se tornam mentiras.

 

*Conto escrito por Homem Invisível

**Quinta-feira tem dicas culturais para você!



Escrito por Intelecta City às 08h54
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Intelecta-Dicas #7

CD: O álbum Sinceramente da cantora paulistana Paula Lima merece destaque. Lançado em 2006, o CD reúne músicas inéditas na voz da cantora. Entre elas, Novos Alvos de Zélia Duncan é o carro-chefe.

Como não poderia faltar, há músicas compostas por Seu Jorge. Paula grava músicas do cantor antes mesmo dele começar a gravar.

O álbum é repleto de samba-rock, soul, funk e todo o suingue peculiar da paulistana. Vale a pena ouvir!

 

Livro: Para quem não conhece ou ainda não leu a peça teatral “O Pagador de Promessas” de Dias Gomes, não pode deixar de ler. O filme feito a partir da peça, em 1962, foi o único filme brasileiro a ganhar a Palma de Ouro. A trama conta a história de Zé do Burro que fez uma promessa à Santa Bárbara num terreiro e é impedido de entrar na igreja da cidade para cumprir sua promessa, impedido pelo padre. A situação gera conflitos e façanhas que revelam os interesses, egoísmos, preconceitos e conservadorismo da sociedade brasileira. Uma obra atual, sem dúvidas!

 

Poesia da Semana:

 

Atrás da Porta

Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei, eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
No teu peito, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua
Só pra provar que ainda sou tua
 (Chico Buarque)


Escrito por Intelecta City às 09h21
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